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Valor da produção de vestuário teve aumento de 0,5% em 2022

25/05/2023

Estudo do IEMI – Inteligência de Mercado para a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) demonstra que a produção nacional de vestuário em 2022 foi de R$ 150,3 bilhões, com aumento de 0,5% em relação aos R$ 149,6 bilhões de 2021. Quanto ao volume de peças fabricadas, houve recuo de 5,8%, com queda de 5,46 bilhões de unidades para 5,14 bilhões. 

Entre 2017 e 2022, a produção em peças teve queda de 12,6%, diminuindo de 5,88 bilhões de unidades para 5,14 bilhões. Em valores nominais (sem descontar a inflação do período), houve alta de 9,5%, de R$ 137,2 bilhões para R$ 150,3 bilhões. O consumo aparente, em volume, diminuiu 7,3%, recuando de 6,76 bilhões de peças para 6,27 bilhões. Em valores nominais, houve aumento de 11,3%, de R$ 141,7 bilhões para R$ 157,6 bilhões. 

No período analisado, houve queda, em volume de produção, em todas as linhas do vestuário. As menores taxas foram registradas nos segmentos de acessórios (-21,0%), roupa social (-16,6%) e de praia (-16,2%). No período analisado, verificou-se alta, em valores de produção, em quase todas as linhas do vestuário. As maiores taxas foram registradas nos segmentos de roupa íntima/dormir (+38,3%), inverno (+18,3%) e esportiva (+13,0%). 

O número de unidades de produção de vestuário vem diminuindo no Brasil desde 2017, tendo registrado queda de 13,9% no período. Quanto ao número de empregos vinculados à atividade, houve redução de 15%. As regiões Sudeste e Sul, juntas, concentram 76,6% das unidades produtoras e 75,8% do pessoal ocupado. O Norte apresenta a maior queda (32%) no volume de peças confeccionadas. As microempresas representam 70,9% das unidades produtoras de vestuário em operação no País. Em produção, as empresas de médio e grande porte têm a maior parcela, com 65,1%. 

As regiões Sul e Sudeste somam 74,1% da produção de vestuário em geral. O Estado de São Paulo detém 23,3% do total, seguido de Santa Catarina, com 22%, e Minas Gerais, com 9,9%. 

A roupa feminina infantil representou 42,4% da produção em 2022. Em seguida, apareceu a masculina adulta, com participação de 31,1% sobre o volume produzido. 

Varejo - Em 2022, o consumo de vestuário no varejo foi de R$ 265,8 bilhões, representando aumento de 15,8% na comparação com 2021. Do total, R$ 244,7 bilhões (92%) são referentes a compras em lojas físicas, em cerca de 133 mil pontos de venda, localizados em 4,4 mil municípios; R$ 21,1 bilhões (8%) foram relativos ao e-commerce. Em volume de peças, comercializaram-se 6,27 bilhões de unidades, o que significa crescimento de 2,7% em relação a 2021. 

Entre 2017 e 2022, o varejo de vestuário recuou 1,1% em volume de peças, diminuindo de 6,34 bilhões de unidades para 6,27 milhões. Em valores nominais, cresceu 19%, saltando de R$ 223,3 bilhões para R$ 265,8 bilhões. 

O varejo do vestuário alcançou em 2017 o seu auge, com 149 mil pontos de venda especializados. Em 2018, o número passou a recuar, caindo para aproximadamente 133 mil em 2022. A queda foi de 10,6% no período, com média anual de redução de 2,2%. 

Comércio exterior - Em 2022, as exportações de vestuário registraram alta de 34% em relação a 2017, passando de US$ 139,3 milhões para US$ 186,7 milhões. As importações registraram crescimento de 5,6%, de US$ 1,52 bilhão para US$ 1,61 bilhão. O déficit comercial passou de US$ 1,39 bilhão para US$ 1,61 bilhão, com aumento de 2,8%.

Também em 2022, as importações avançaram 43,2% em peças em relação a 2021, passando de 810,7 milhões de unidades para 1,16 bilhão. A participação dos importados no consumo interno aumentou para 18,5% sobre o montante consumido no País. Entre 2017 e 2022, em peças, as importações aumentaram 28,2% (de 905,2 milhões para 1,16 bilhão), enquanto sua participação no mercado interno avançou 5,1 pontos percentuais. 

Setor têxtil e de confecção - A indústria têxtil e de confecção, representa 24,6 mil empresas, dos distintos portes, distribuídas em todo o território nacional, empregadoras de 1,3 milhão de trabalhadores. Somadas, geram faturamento anual superior a R$ 160 bilhões. 

O setor têxtil e de confecção nacional, precursor da indústria na história do Brasil, tem destaque no cenário global, não apenas por seu profissionalismo, criatividade e tecnologia, mas também pelas dimensões de seu parque empresarial: é a quinta maior indústria da área no mundo, segundo maior produtor de denim e terceiro na fabricação de malhas. Autossuficiente na lavoura de algodão, o Brasil produz cerca de 9,04 bilhões em peças de vestuário, sendo referência mundial em beachwear, jeanswear e homewear. Outros segmentos também vêm ganhando mercado internacional, como a moda feminina, íntima, masculina e infantil, além do fitness. 

A cadeia de valor setorial é uma das poucas do mundo totalmente integradas e com elos em todas as etapas do processo produtivo, desde as empresas produtoras de fibras naturais, artificiais e sintéticas, passando pelas fiações, beneficiadoras e tecelagens, até as confecções. O setor é representado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), fundada em 21 de fevereiro de 1957, uma das mais importantes e dinâmicas entidades de classe do País.