Seminário de cânhamo têxtil em SP debate mercado global bilionário e regulamentação no Brasil

12/03/2026

CânhamoDivulgação: Fashion Revolution Brasil

Enquanto países como a China já consolidaram cadeias produtivas bilionárias em torno do cânhamo têxtil, o Brasil ainda engatinha na discussão sobre a fibra. Com potencial de movimentar R$ 26,1 bilhões e gerar 117 mil empregos em apenas quatro anos, segundo levantamento da Kaya Mind, o cânhamo surge como uma alternativa para impulsionar a economia e a sustentabilidade na moda brasileira. 

Para conectar o país a essa vanguarda, o Instituto Fashion Revolution Brasil e a Fibershed Brasil promovem, no dia 20 de março, o seminário “Cânhamo Têxtil: construindo o uso da fibra no contexto brasileiro”. O evento inédito reúne especialistas internacionais e nacionais para debater ciência, produção e os desafios da regulamentação no Brasil. 

O potencial bilionário do cânhamo para o Brasil - Considerada uma das fibras mais antigas da humanidade, o cânhamo é valorizado na indústria têxtil pela durabilidade, respirabilidade e propriedades antibacterianas. Quando cultivado de forma orgânica, a planta exige pouca água, dispensa pesticidas e ainda contribui para a regeneração do solo, tornando-se uma substituta viável para matérias-primas de alto impacto ambiental. 

De acordo com a Data Bridge Market Research, o mercado global de roupas de cânhamo deve atingir US$81,5 bilhões até 2030. Apesar desse cenário promissor, o Brasil ainda depende da importação da fibra, majoritariamente da China, para abastecer as poucas marcas que já a utilizam, arcando com custos logísticos elevados e deixando de estimular a cadeia produtiva local. 

“O cânhamo não pode ser analisado apenas sob a perspectiva regulatória. Ele é uma agenda estratégica de desenvolvimento econômico e sustentabilidade, com múltiplas aplicações industriais e alto potencial de agregação de valor”, afirma Bruno Pegoraro, presidente do Instituto Ficus, um dos apoiadores do seminário. 

Especialistas globais em São Paulo - O seminário contará com apresentações de pesquisadores de referência como Git Skoglund e Remi Loren (Suécia) e o brasileiro Sérgio Rocha. A programação inclui uma exposição detalhada sobre o processamento da fibra e suas características físico-químicas, conectando as experiências internacionais às especificidades da agricultura e da indústria nacional. 

Para Fernanda Simon, diretora executiva do Instituto Fashion Revolution Brasil, o evento chega em um momento decisivo: “Enquanto o mercado global do cânhamo cresce em ritmo acelerado, o Brasil ainda enfrenta legislações atrasadas. Reconhecer o cânhamo como matéria-prima estratégica é fundamental para avançarmos na sustentabilidade do setor têxtil no país.” 

Desafios e caminhos para a produção nacional - Atualmente, não há regulamentação para o cultivo do cânhamo com fins têxteis no Brasil. Especialistas alertam que, para que a fibra cumpra seu papel sustentável, é essencial que o cultivo seja feito em bases agroecológicas, evitando o modelo de monocultura e o uso de pesticidas — que descaracterizariam seus benefícios ambientais. 

Rafael Arcuri, presidente da Associação Nacional do Cânhamo Industrial (ANC), reforça o potencial transformador da fibra: “O cânhamo têxtil alia inovação, sustentabilidade e crescimento econômico. Ele pode representar uma revolução na moda, reduzindo nossa pegada de carbono e abrindo inúmeras oportunidades para o país.” 

Mais informações - O evento acontece na sexta-feira, dia 20 de março, no CIVI-CO, em São Paulo, e você pode registrar seu interesse em participar por aqui. Após o evento, a gravação estará disponível nos canais do Instituto Fashion Revolution Brasil e Fibershed Brasil.