PIB deve crescer 1,8% em 2026, projeta CNI
05/01/2026

O Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 1,8% em 2026, segundo projeção do relatório Economia Brasileira 2025-2026, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em 10 de dezembro. O avanço deve ocorrer, sobretudo, a partir do setor de serviços, cuja expectativa é de alta de 1,9%. A indústria tende a perder ritmo em relação a 2025, crescendo 1,1%, enquanto a agropecuária deve se manter estável. A CNI aponta os juros altos e o enfraquecimento do mercado de trabalho como os principais fatores da desaceleração da economia.
“Caso as projeções se confirmem, este seria o menor crescimento do PIB em seis anos. Não há como fugir da realidade: com juros nesse patamar, a economia vai desacelerar ainda mais, prejudicando todos os setores produtivos, em especial a indústria. O impacto recai sobre a população, pois isso se reflete em menos emprego e renda. É necessário que o Banco Central não apenas inicie o ciclo de cortes na taxa Selic o quanto antes, mas que, ao final de 2026, tenhamos juros reais menores do que as projeções indicam no momento”, avalia o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Juros altos e queda de demanda seguirão penalizando a indústria - A CNI projeta que a taxa básica de juros da economia, a Selic, encerrará 2026 em 12%, e que a inflação fechará o ano em 4,1%. A CNI também estima que os juros reais devem ficar em torno de 7,9%, patamar que continuará inibindo o crescimento econômico e o investimento.
Além dos juros altos, a queda da demanda interna por bens industriais e o aumento das importações continuarão penalizando a indústria, em especial a indústria de transformação. A previsão é de alta de apenas 0,5% para 2026, pior resultado entre todos os segmentos industriais.
Exportações sobem, importações encolhem - Os efeitos das tarifas norte-americanas, a possível desaceleração da economia argentina – importante parceiro comercial do Brasil —, uma safra de grãos mais modesta e a expectativa de menor demanda por petróleo devem diminuir o ímpeto das exportações brasileiras. A CNI projeta que as vendas externas totalizem US$ 355,5 bilhões, 1,6% a mais do que em 2025.
No caso das importações, espera-se menor demanda por insumos importados e aumento das compras de bens de consumo. Ainda assim, a expectativa é que as compras externas alcancem US$ 289,3 bilhões, 1,4% abaixo do total de 2025. Com isso, o Brasil deve fechar 2026 com um superávit comercial de US$ 66,2 bilhões, quase 17% a mais do que em 2025.
Ampliação de parcerias comerciais mitigou impactos do tarifaço - O crescimento expressivo das exportações da indústria de transformação para China, Reino Unido, Itália e Argentina entre agosto e novembro ajudou a neutralizar os impactos do tarifaço norte-americano sobre os produtos brasileiros. As vendas externas da agropecuária também tiveram efeitos positivos na balança comercial. Com isso, as exportações devem totalizar US$ 350 bilhões ao fim de 2025, uma alta de 3% em relação a 2024.
A diminuição dos preços internacionais, os desvios de comércio causados pela nova política comercial dos EUA, a valorização do real e o aumento da renda das famílias são fatores que contribuíram para a expansão das importações. As compras externas do Brasil devem alcançar US$ 293,4 bilhões, 7,1% a mais do que ano passado. A balança comercial deve registrar um saldo positivo de US$ 56,7 bilhões, 14% a menos que em 2024.