Lorsa: roteiro de 35 anos com desafios e final feliz

14/02/2017

Nos idos da década de 80, o estilista Pierre Cardin era uma referência e a mania pelo jeans rondava o mundo da moda. Pensando nisso, os três irmãos de origem ítalo-brasileira Francesco, Lucio e Paulo Totaro decidiram iniciar um negócio que incorporasse a admiração pelo icônico designer e a demanda de mercado. Assim, exatamente, no dia 13 de julho de 1981, a Lorsa Modas e Confecções abria as portas na Rua Cuiabá, 101, no alto da Mooca, em São Paulo (SP).

Sem muito conhecimento de causa, os jovens da família Totaro se reuniram em torno do ofício de confecção de calças feitas com denim. Até chegar aos 4,5 milhões de peças fabricadas ao ano, fez-se necessário grande resignação com os desafios que viriam enfrentar. “Não havia plano B, ou dava certo ou dava certo”, afirma Paulo Totaro, diretor presidente da Lorsa.

Fachada da primeira loja da Lorsa, na Mooca, em 1983 

Apesar das dificuldades no meio do percurso, o sonho se tornou realidade e, hoje, conta com 700 funcionários diretos e 1.300 indiretos, divididos entre a sede administrativa, que continua na Mooca, e o parque industrial em Avaré (SP), em atuação desde os anos 90. A transferência produtiva para a cidade vizinha é um sinal de que o caminho traçado pelos irmãos passava por um percurso pleno. “Avaré oferece boas condições de trabalho. É bom saber que os nossos colaboradores têm qualidade de vida”, destaca Paulo.

Toda trajetória duradoura conta com boas histórias, tem momentos difíceis e a Lorsa não fugiu disso. Em 1994, Paulo sentia-se cansado e contava com cinco sócios a frente da companhia. No momento em que pensou em desligar-se do negócio, foi impelido a continuar a tocar o empreendimento sozinho.  “Aceitei o desafio, porque naquela época eu achava que podia tudo. Arregacei as mangas e continuei trabalhando. Não tinha outra saída: ou dava certo ou dava certo”, relembra.  Assim, entre 1995 e 2002, o empreendedor se dedicou a quitação de dívidas e organização de estrutura.

Parque industrial da Lorsa em Avaré 

Outro ponto marcante nesta rota foi o assalto à loja de fábrica. “Certa vez cheguei como sempre bem cedo para colocar mercadoria na loja e me deparei com ela vazia, fomos assaltados. Não tinha uma peça. Sem saber o que fazer, recebi auxílio de meu parceiro José Carlos da Lavanderia Acqua Doce, que disse: ‘me traga o que tiver pronto, que eu lavo e você põe para vender’.  Eu nem tinha como pagar, mas ele me estendeu a mão e sem preocupação, pois confiou em mim e na Lorsa”, reconhece Paulo.

Como em um roteiro de filme, a reviravolta e a recuperação surgiram. A Lorsa se consolidou como confeccionista private label para grandes nomes do varejo de vestuário nacional, como TNG, Siberian, Lojas Renner, Marisa e C&A - da qual a empresa se tornou fornecedora corporativa em 2009. Além de vender para redes conhecidas, a companhia mantém cinco lojas voltadas para o varejo popular.

Uma das lojas da Lorsa atualmente 

Para comemorar tal biografia, cheia de narrativas interessantes, foi desenvolvido um livro homenageando colaboradores, clientes e fornecedores.  Além disso, a companhia convidou personalidades da publicação para participar de uma missa especial, no final de 2016, quando receberam pessoalmente exemplares da obra.

Apesar de o negócio inicial ter dado certo, como desejavam seus fundadores, Paulo ainda almeja mais para a Lorsa. “Queremos crescer com qualidade e proporcionar aos nossos clientes e colaboradores cada vez mais satisfação. Acho que até o momento estamos conseguindo fazer o que se determinou, mas os desafios são diários. Atualmente, nossa prioridade é investir em uma lavanderia que possa utilizar produtos sustentáveis”, antecipa o empresário.  

 

*Crédito de imagens: divulgação/Lorsa





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