Brasil não precisa de novas máquinas para fabricar tecidos inteligentes

06/10/2017

Os tecidos inteligentes já são uma realidade. A cada estudo, os cientistas, aliados aos designers têxteis, conseguem criar novas categoria de tecidos. Segundo o colombiano Juan Hinestroza, o principal obstáculo para os designers é ter acesso aos materiais que podem expressar sua criatividade.  “Ao invés de usar um tecido existente, os designers, juntamente com os cientistas, podem criar o próprio material. É um esforço difícil, pois cada um tem um conjunto de habilidades que, à primeira vista, parecem incompatíveis, mas provamos nos últimos 13 anos que essa combinação é possível”.  

Referência no estudo de nanotecnologia aplicado ao têxtil, Hinestroza ressalta que o valor investido nas novas matérias-primas é muito menor do que os benefícios que serão proporcionados. “A beleza dos nanomateriais é que, na maioria dos casos, não são necessárias mudanças nas instalações de fabricação existentes. A química em que trabalhamos é a base de água e pequenas quantidades de solventes são necessárias. Em alguns casos, trabalhamos com nanomateriais de plantas e produtos naturais. Ainda vamos usar 99,5% de materiais têxteis e apenas adicionar 0,5% ou menos dos novos nanomateriais. O truque é onde usar esses materiais para alcançar o valor máximo”, destaca. 

O especialista sinaliza que projetar seus próprios materiais pode dar novos graus de liberdade às mentes criativas, tanto na ciência, como na moda. Para ele, a moda precisa abordar a amplitude de roupas funcionais, da mesma forma que os fabricantes de joias e relógios estão se adaptando aos gadgets que fazem mais do que servir como estética. 

A utilização destes insumos na fabricação de materiais têxteis pode, inclusive, ser empregada como um diferencial competitivo por marcas nacionais frente à concorrência, aproveitando a criatividade e a flexibilidade dos brasileiros que, aliás, é vista como outra vantagem destacada por Hinestroza como uma importante capacidade de improvisar e inovar. “É algo em nossa cultura de caos e desordem que permite pensar dessa maneira e isso está se tornando um ativo. Os latino-americanos podem prosperar em ambientes cheios de incerteza e podem criar no meio do caos. A fusão da tecnologia e da moda é caótica e incerta e, com certeza, os brasileiros talentosos terão sucesso”, acredita. 

Referência em nanotecnologia aplicada à têxteis, o cientista iniciou suas pesquisas sobre o tema em 2003, e declarou que outros especialistas denominavam esses estudos como “ser o equivalente a dominar o invisível e torná-lo visível”. O especialista será um dos palestrantes da 33ª Conferência da IAF, maior conferência de moda mundial, que acontece pela primeira vez no Brasil. 

O painel “How Technology Can Be Aplied in Fashion? Merging Fiber Science and Apparel Design” (Como a tecnologia pode ser aplicada à moda? Combinando ciência de fibras com design de vestuário, em tradução livre) acontece no dia 18 de outubro.  

Anote:

33ª IAF (International Apparel Federation) Convention

Data: 16 a 18 de outubro

Local: Grand Hyatt Rio de Janeiro (Av. Lúcio Costa, 9600 - Barra da Tijuca, Rio de Janeiro)

Inscrições: www.iafconventionbrazil.com.br





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