Estudo do Fashion Revolution revela índices de transparência climática da moda no Brasil

03/11/2025

Índice de Transparência da Moda Brasil

Divulgação: Fashion Revolution

O Índice de Transparência da Moda Brasil – Edição Clima, lançado pelo Fashion Revolution Brasil em 03 de novembro, apurou que grande parte das empresas segue relutante em assumir compromissos claros com a sustentabilidade e os direitos trabalhistas, evidenciando que o setor nacional ainda avança devagar.

Os dados coletados mostraram que 53% das principais marcas brasileiras de moda pontuaram abaixo de 20% em transparência sobre indicadores climáticos e que a pontuação média geral entre as 60 marcas analisadas foi de apenas 24%. Das marcas avaliadas pelo estudo, 27 não divulgaram dados básicos sobre emissões de gases de efeito estufa, uso de energia renovável ou estratégias para proteger trabalhadores da cadeia de produção.

“É impossível ignorar a relação entre a moda e a crise climática. A menos de cinco anos do prazo estabelecido pelo Acordo de Paris, o setor precisa agir com urgência. O Índice tem como objetivo mapear e incentivar a transparência das maiores marcas que operam no Brasil. Queremos que ele funcione como um instrumento de mobilização e pressão, para que o setor assuma sua responsabilidade com o meio ambiente e com os trabalhadores”, afirma Isabella Luglio, coordenadora de pesquisa no Fashion Revolution Brasil.

Principais dados - O Índice de Transparência da Moda Brasil – Edição Clima avaliou a divulgação pública de informações em cinco áreas críticas das empresas: rastreabilidade da cadeia de fornecimento, emissões de carbono, descarbonização e desmatamento zero, uso de energia renovável e transição justa.

Foi registrado progresso na transparência sobre emissões de gases de efeito estufa, nas metas de descarbonização aprovadas pela Science Based Targets Initiative e na divulgação da quantidade de energia renovável utilizada. Contudo, o estudo relatou que temas críticos continuam invisíveis.

O pior desempenho das empresas foi no critério de transição justa, no qual 65% das marcas ficaram com nota zero, sem apresentar iniciativas para proteger trabalhadores, que são, em geral, os mais afetados por eventos climáticos extremos.

Além disso, somente 12% das marcas mostram redução real de emissões em relação ao ano-base de suas metas e apenas 27% publicam metas climáticas validadas cientificamente. O estudo ainda evidenciou que 80% não têm compromissos públicos de desmatamento zero e somente 23% divulgam a origem de pelo menos uma de suas matérias-primas, etapa onde há maior risco de desmatamento. 

O Índice revelou, por fim, que nenhuma marca divulga investimentos em adaptação climática para seus fornecedores e que as emissões de Escopo 3 de somente 22 marcas já somam 59,3 milhões de CO2, mais do que as emissões anuais de Portugal.

Desempenho geral das marcas no índice - O ranking foi liderado pelas marcas Renner e Youcom, com 76% de transparência, seguidas por Adidas, Ipanema e Melissa, que alcançaram 65%. No total, 27 empresas obtiveram pontuação zero, indicando ausência total de transparência em relação a compromissos climáticos.