Abit acompanha mudanças nas modelagens da indústria da moda diante do avanço das canetas emagrecedoras

15/07/2026

Alterações no comportamento do consumidor levam empresas a adaptar modelagens, preservando a diversidade de tamanhos oferecidos ao mercado | Foto: Divulgação

A crescente utilização de medicamentos para tratamento da diabetes e da obesidade, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, começa a influenciar o comportamento de uma parcela dos consumidores e já desperta a atenção da indústria têxtil e de confecção brasileira, aponta a Abit.

A associação acompanha as empresas e observa transformações na demanda por determinadas numerações para as próximas coleções, ao mesmo tempo em que cresce a procura por roupas mais versáteis, tecidos com maior elasticidade, modelagens ajustáveis e serviços de reforma e customização durante o processo de perda de peso.

Esse movimento estimula diferentes segmentos da cadeia produtiva, desde fabricantes de tecidos até confecções, marcas, varejo e empresas especializadas em ajustes de peças, reforçando a necessidade de maior flexibilidade na oferta de produtos.

Para Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit, a indústria da moda acompanha permanentemente as transformações do comportamento do consumidor. “Estamos observando mudanças no perfil de parte do público, o que pode alterar a distribuição da demanda entre diferentes numerações. Isso, porém, não significa redução da importância do segmento plus size. A moda continuará oferecendo opções para todos os perfis de consumidores, enquanto a indústria buscará responder com maior flexibilidade às novas demandas do mercado,” declara.

Segundo Marcelo Prado, CEO do IEMI – Inteligência deMercado, a indústria brasileira desenvolveu nos últimos anos uma importante modificação na ampliação da oferta de tamanhos e modelagens, tornando a moda mais inclusiva. “Essa evolução continuará sendo uma característica do setor. O que podemos observar é uma diversificação das curvas de modelagem, acompanhando as mudanças de parte dos consumidores. Ao mesmo tempo em que permanece uma demanda importante por peças plus size, pode crescer a procura por numerações menores entre pessoas que passam por processos de emagrecimento. O desafio das marcas será atender bem todos os públicos,” afirma.

Evolução do comportamento - A Abit revela que uma das principais tendências é a preferência por peças com maior capacidade de adaptação ao corpo, confeccionadas com tecidos flexíveis, modelagens reguláveis e soluções que ampliem a vida útil das roupas durante períodos de transição de medidas.

Outra tendência é o fortalecimento dos serviços de reforma e customização, além da valorização de modelos de negócios ligados à economia circular, como revenda, aluguel e reaproveitamento de roupas.

À medida que alguns consumidores mudam de numeração com maior frequência, cresce também a preocupação em evitar o descarte precoce de peças, reforçando iniciativas voltadas ao consumo consciente e à circularidade.

Produção mais flexível - A Abit também considera que as empresas deverão trabalhar com coleções cada vez mais dinâmicas, estoques equilibrados e maior velocidade na reposição de produtos, acompanhando as mudanças de comportamento do consumidor.

Ao mesmo tempo, o uso de ferramentas de análise de dados ganha importância para identificar alterações nas curvas de tamanho e antecipar tendências de mercado.

A Abit ressalta que ainda é cedo para mensurar os impactos econômicos do fenômeno sobre a indústria brasileira. No entanto, considera importante acompanhar sua evolução diante da expansão do mercado de medicamentos para tratamento da obesidade. A indústria da moda brasileira seguirá comprometida com a diversidade de biotipos, com a oferta de produtos para todos os públicos e com a relevância do segmento plus size. O desafio das empresas será ampliar sua capacidade de adaptação para atender, de forma cada vez mais eficiente, diferentes perfis de consumo.