Tecnologia têxtil: estilista recicla pelo de cães e cria nova fibra sustentável

15/03/2017

Já pensou em ter no guarda-roupa alguma peça de vestuário ou acessório produzido a partir do pelo de cães? O que pode parecer distante, já está bem mais próximo da realidade do que se poderia imaginar há alguns anos. Isso porque a veterinária e designer de moda Dóris Carvalho, de Goiás (GO), teve a iniciativa de dar um destino sustentável ao resíduo que é diariamente recolhido nos pet shops e encaminhado para aterros sanitários. Com o auxílio da tecnologia têxtil, a ideia da empresária traz vida a uma nova fibra que poderá se transformar em diversos produtos, como bolsas, sapatos e roupas, entre outros. A previsão é que os as peças da marca que ainda está sendo definida comecem a ser comercializadas, aproximadamente, em dois anos.

Acessório com detalhe em pelo de cães

No início da pesquisa, há cerca de 15 anos, Dóris Carvalho diagnosticou que uma cidade com cerca de um milhão de habitantes poderia produzir, por mês, mais de uma tonelada de pelo proveniente da tosa de cães. Com a farta matéria-prima em mãos, iniciou a produção artesanal de alguns artigos de moda. Agora ela tem a parceria do SENAI CETIQT, no Rio de Janeiro, para produzir o novo fio têxtil. Lá, utiliza as instalações das Plantas Piloto de Fiação, Tecelagem e Beneficiamento da instituição e conta com o apoio do Técnico Têxtil, Ismael de Oliveira, e dos pesquisadores que atuam no desenvolvimento da pesquisa, na caracterização física e química da fibra e na produção do fio a partir de pelo proveniente da tosa dos animais. “Obtive êxito na confecção do fio através de testes com o pelo em uma máquina de fiação que o CETIQT utiliza para projetos têxteis inovadores”, conta a empresária.

Da esq.: Caio Barros Costa (estagiário de engenharia química), Dóris Carvalho (empresária), Ismael de Oliveira (Técnico Têxtil) e Ricardo Cecci (Coordenador de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação) 

“Ainda em março de 2017 serão iniciados os testes de esterilização e de fiação mesclada com outras fibras naturais, com intuito de aumentar a resistência mecânica da fibra. Com o fio produzido, as possibilidades de uso no campo de design será extenso”, enfatiza o coordenador de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do SENAI CETIQT, Ricardo Cecci. A empresária lembra que já houve a tentativa bem-sucedida de mesclar o fio com um subproduto da seda. “As pesquisas para encontrar outras fibras naturais continuam. Mas o objetivo é produzir as peças utilizando ao máximo apenas os resíduos das tosas”, enfatiza Dóris Carvalho. 

Peça produzida com a matéria-prima proveniente da tosa 

Ricardo Cecci destaca o papel do SENAI CETIQTno apoio a novos projetos. “A instituição atua como um laboratório aberto para empresas e pesquisadores, apoiando o desenvolvimento de pesquisas que contribuam para o crescimento e inovação da indústria têxtil e confecção”, reforça. Para mais informações: rrcecci@cetiqt.senai.br





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