São
brasileiros e fazem quimonos. Novidade: exportam para o Japão
Ex-jogador do São Caetano descobriu no jiu-jitsu um hobby
e uma fonte de renda
Fonte: O Estado de São
Paulo
Os irmãos Victor
e Matheus Costa são brasileiros, não têm
olhos puxados nem falam japonês, mas estão ganhando
dinheiro vendendo os tradicionais e cerimoniais quimonos de
lutas marciais para o Japão. O país do sol nascente
consome hoje quase 30% da produção mensal de
1 mil quimonos da Koral, a empresa que os irmãos criaram
em 1997.
Outra leva de 10% desses trajes, que requerem algodão
puro e costuras fortes, deixa mensalmente a pequena fábrica,
no Alto da Lapa, em São Paulo, para seguir para outros
países, em especial os Estados Unidos. Lá, 80
mil academias são o mais novo alvo da dupla que espera
ampliar a participação das exportações
no negócio, hoje em 40%.
O faturamento mensal da Koral, diz Victor, gira em torno
de R$ 80 mil a R$ 85 mil por mês, mas além de
quimonos a empresa produz outros acessórios relacionados
a esportes, como camisetas e cinturões.
Ex-goleiro do São Caetano, Victor, hoje com 24 anos,
conta que trocou o futebol e as chuteiras pelo negócio
criado pelo seu irmão Matheus, de 25 anos, e que é
lutador de jiu-jitsu. "Eu estava fazendo carreira como
goleiro no 'azulão' (como é chamado o time paulista).
Tinha passado de goleiro dos juniores para o time profissional
e tive o orgulho de ver meu nome na súmula do Campeonato
Paulista, mas achei mais seguro, investir meu dinheiro e meu
tempo na empresa." Victor, porém, não abandonou
o esporte, só que, seguindo mais uma vez os passos
de Matheus, hoje tem o jiu-jitsu como hobby.
A própria Koral nasceu da necessidade de Matheus de
ter quimonos para participar dos campeonatos de jiu-jitsu,
o que o levou a pensar em começar a produzir o traje.
Deu certo. Primeiro porque Matheus presenteou lutadores famosos
do País, como a família Gracie, depois porque
investiram na qualidade do material e da costura.
"Os nossos quimonos começaram a aparecer em revistas
especializadas, sobretudo estrangeiras, onde esses esportes
são mais valorizados, e começamos a receber
encomendas, primeiro dos amigos dos amigos e, depois, de outras
empresas no exterior", conta Victor. Essa exposição
que deu resultados levou a Koral a patrocinar eventos como
o Pan Pacific, o Campeonato Mundial de Jiu-jitsu, o Pan Americano,
o Ist American e o ADCC Brasil 2003, além de campeonatos
regionais.
Mas o grande salto das exportações, diz Victor,
foi dado há três anos, quando os Correios lançaram
o Programa Exporta Fácil, que permite o envio de mercadorias
com até 30 quilos e valor de até US$ 10 mil
ao exterior. "Isso facilitou, porque o importador quer,
além de mercadoria de qualidade, prazos". A aprovação
dos quimonos pelos japoneses, diz Victor, é hoje o
melhor marketing dos produtos, cujos preços variam
de R$ 150 a R$ 300. O quimono 'azulão' trançado,
o seu preferido, custa R$ 273,00, sem contar o frete.
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