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Setor quer atingir US$ 4 bi com vendas externas em 2008

Exportações do setor têxtil devem chegar a US$ 4 bi em 2008, diz Faria, da Abit.

Agregar valor aos produtos têxteis nacionais para que o Brasil possa se tornar um exportador não só de matérias-primas, mas de roupas prontas que aliem eficiência técnica e criatividade.

Essa deve ser a prioridade da indústria têxtil e de moda brasileira a partir de agora, de acordo com os participantes do primeiro dia de debates do seminário "O Negócio da Moda - Fator Estratégico e Desenvolvimento", promovido pelo Valor e pelo Calendário Oficial da Moda Brasileira - São Paulo Fashion Week: O seminário continua hoje, em São Paulo. Cinco anos atrás, o setor têxtil amargava um déficit de US$ 1,2 bilhão em sua balança comercial.

No ano passado, o total exportado chegou a US$ 1,6 bilhão e a previsão é de que essa cifra chegue a US$ 4 bilhões até 2008, segundo Rossildo Faria, gerente de operações da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). A expectativa é justificada: no dia 1º de janeiro de 2005 termina um acordo internacional pelo qual a indústria têxtil de qualquer país pode impor cotas de controle à importação. Além dos exportadores líderes do setor - China, Hong Kong, Taiwan, Coréia do Sul -, a mudança deve favorecer países de potencial reprimido, como Malásia, Tailândia, Índia e também o Brasil. Produtos brasileiros que ainda sofrem a imposição de cotas no exterior - toalhas de banho, lençóis, camisetas, jeans e tecidos de algodão, entre outros - poderão ver suas exportações deslancharem.

Outro dado promissor é o aumento consistente da importação dos países desenvolvidos. Os Estados Unidos, por exemplo, que importavam 35% de seu consumo têxtil em 1995, devem comprar 45% no próximo ano. "Essa nova vantagem também traz ameaças", alerta Faria. "A queda de barreiras no exterior deve aumentar a competitividade no mercado interno, porque no setor de roupas há pouco crescimento vegetativo do consumo. O aumento da exportação de um país só se dá pelo deslocamento dos concorrentes." Um exemplo a ser seguido é o do México, que através de acordos comerciais viu a exportação de sua indústria têxtil passar de US$ 1,2 bilhão, em 1994, para US$ 3,8 bilhões em 95 e US$ 9,5 bilhões em 2000. Faria listou os erros mais comuns cometidos por empresários brasileiros do setor têxtil que desejam começar a exportar: falta de reconhecimento da importância das pesquisas de mercado, escassez de informação na escolha de representantes no exterior e a pouca flexibilidade na adaptação dos produtos aos países de destino.

Valor Econômico – SP, 27/01/2004, Brasil e especial, A2 e B-7


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