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Entrevista concedida por Paulo Skaf ao Jornal de Santa Catarina

CÂMBIO AJUDA, MAS NÃO É TUDO


ENTREVISTA: PAULO SKAF, PRESIDENTE DA ABIT

Por: VANESSA JURGENFELD

Ao investir em divulgação internacional, têxteis minimizam efeitos da queda do dólar

A indústria têxtil brasileira começou com as exportações atingindo US$ 475 milhões de janeiro a abril - crescimento de 28,5% em relação ao mesmo período no ano passado. Ontem, com um discurso bastante otimista, esteve em Blumenau o presidente da Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Paulo Skaf. A convite da Karsten, abriu o curso de pós-graduação em Gestão Empresarial, em convênio com a Universidade Regional de Blumenau (Furb) e Fundação Fritz Müller, dirigido para 40 executivos da companhia. Por uma hora e meia, Skaf falou sobre o crescimento do setor e negociações no mercado externo. Em entrevista ao Santa, disse acreditar no crescimento da indústria nos próximos meses e que aposta nos negócios da TexFair, que começa no próximo dia 27.
Mas se diz reticente com o queda no consumo interno, motivado pela conjuntura econômica do país.

Jornal de Santa Catarina: Os primeiros meses do ano podem ser considerados de ótimo desempenho para a indústria têxtil. Exportaram muito e importaram pouco. O senhor acredita que essa tendência vai continuar nos próximos meses?
Paulo Skaf:
Começamos muito bem. Tivemos um bom ritmo e estamos caminhando para a meta de superávit de US$ 400 milhões no ano. Uma mudança radical se compararmos ao desempenho da indústria há quatro anos, quando o setor apresentava déficit superior a US$ 1 bilhão. As exportações vão indo bem, isso é inegável. O problema hoje concentra-se no mercado interno, em que as compras estão retraídas pela própria conjuntura nacional.

Santa: O dólar em alta é um dos motivos para o setor ter apresentado grande aumento nas exportações de janeiro a abril. Recentemente, no entanto, a moeda apresentou recuo, com desvalorização que já chega perto de 20% no ano. Isso pode prejudicar o desempenho do setor?
Skaf:
O crescimento das exportações não se deve apenas a questões cambiais. O câmbio é importante, mas o fato é que estamos promovendo eventos internacionais, divulgando marcas e gerando negócios em todo o mundo (80 feiras em 2002), além de investir no setor como um todo. Também acredito que a queda do dólar (abaixo de R$ 3) é momentânea porque, além de desestimulante para alguns setores da iniciativa privada, é prejudicial para o próprio governo, que persegue superávit na balança comercial.

Santa: Existe hoje algum esforço para estimular as exportações do setor? Como estão as relações com o mercado europeu, conhecido por suas barreiras ao produto têxtil brasileiro?
Skaf:
Há uma grande luta para eliminar barreiras no campo das exportações, mas essa não é só uma questão do setor têxtil, mas de toda a economia brasileira. Vejo esforço do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e até da própria Receita Federal. Recentemente, pedimos um cadastro mais detalhado de exportadores/importadores que hoje movimentam a balança comercial do setor para deixar as operações mais transparentes e melhorar os relacionamentos. E isso está sendo analisado. No mercado europeu não existem mais cotas e as exportações para lá aumentaram 12% nos primeiros meses do ano.

Santa: O segmento de cama, mesa e banho do qual Blumenau é o maior pólo produtor respondeu por 21% das exportações neste início de ano. Como o senhor analisa esse desempenho?
Skaf:
Praticamente 70% das peças de cama, mesa e banho são produzidas em Santa Catarina. O Estado exporta US$ 300 milhões e não importa praticamente nada. Temos fábricas altamente competitivas que estão investindo e se modernizando. Este é um segmento que o Brasil vende bem e tem muito mercado lá fora. A TexFair, feira realizada no fim deste mês em Blumenau, deve incrementar ainda mais o setor. Estou bastante otimista com o segmento.

Santa: A Ásia é um forte concorrente do Brasil no mercado têxtil mundial. A crise na área de saúde (pneumonia asiática) que o continente atravessa pode interferir no desempenho brasileiro, e de certa forma, ajudar as exportações?
Skaf:
Não podemos falar que a doença na Ásia beneficiará o Brasil. Não somos grandes exportadores para lá e não dá nem para falar de questões de mercado tendo em vista uma crise de saúde tão grave e que afeta pessoas.

Fonte: Jornal de Santa Catarina - http://santa.clicrbs.com.br/destaque/econ01.htm


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