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Em Pauta
               
E m   P a u t a
 

Não se faz moda sem pesquisa.

Moda não é só criatividade e modelagem. O próprio processo criativo, em qualquer área, é resultado de muita pesquisa. Esse é o pulo do gato para quem quer aumentar cada vez mais a qualidade de seus produtos. E qual o melhor jeito de se fazer pesquisa de moda?

A melhor forma de dar um up grade na formação de um empresário ou profissional de moda é mergulhar no coração de onde tudo começou: a Europa. Organizo viagens de pesquisa de moda há quinze anos e posso dizer que, em todos os grupos, as pessoas que levo são umas, mas as que voltam são outras. Na verdade, a cabeça desses profissionais muda. Agora, eles querem fazer moda, criar estilos, aperfeiçoar o design, o acabamento, enfim, dar atenção a todos aqueles detalhes que tornaram França, Itália e Inglaterra as capitais da moda.

A viagem de pesquisa de moda na Europa exige preparo físico e ânimo de maratonista. Contudo, muito mais importante é ter a sensibilidade de um flaneur, aquele personagem francês que surgiu no final do século XIX e que fazia das ruas sua principal razão de viver. As referências não estão apenas nas vitrines e nas Maisons, mas na deslumbrante arquitetura romana, nas igrejas góticas, nos museus e nas pessoas que andam pelas ruas. A França tem perfume de croissant quente invadindo os quartos... e quem consegue perceber detalhes como este está preparado para captar o turbilhão de informações de Paris.

O mesmo acontece na Inglaterra com sua arquitetura histórica, sua variedade de museus, galerias e igrejas. Londres é, sem dúvida, uma cidade contemporânea interessante e que causa sentimentos antagônicos: os que amam e os que odeiam. Para o pesquisador de moda de primeira viagem, assimilar a cultura de outro país pode levar alguns dias e, somente depois desse período é que ele realmente aprofunda sua pesquisa. Nessas minhas viagens como "guia e consultor de moda" não é raro ver pessoas do grupo chorando emocionadas ao entrarem numa Maison. Assim também como é comum o rastro dos brasileiros que vão deixando pelo caminho as marcas de uma cultura radicalmente diferente e infinitamente mais tolerante do que o humor dos franceses e ingleses. Ao final da viagem, tudo mundo já assimilou essa nova cultura. Vários são os empresários de confecção que retornam para aproveitar mais detalhes que passaram desapercebidos na primeira viagem.

Neste ano já encerramos todas as viagens, mas em abril de 2004, levarei mais um grupo a uma viagem de pesquisa de moda organizada pela ABIT. Iremos a Paris, Florença e Londres. Outros flaneurs sugirão, buscando inspiração, informação e conceitos para enriquecer a moda produzida aqui no Brasil.

Carlos Simões


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