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Acordo entre Brasil e Argentina para o denin

Após uma longa negociação na sexta-feira, que durou cerca de nove horas, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit) conseguiu convencer um grupo de empresários argentinos a aceitar o limite de 15 milhões de metros lineares para as exportações brasileiras de denin para a Argentina.

As empresas do país vizinho compraram do Brasil mais de 19 milhões de metros lineares do produto no ano passado e queriam fixar em 10 milhões de metros o total deste ano. A Abit propunha a manutenção dos patamares de 2003. O presidente da Abit, Paulo Skaf, considerou o acordo positivo e informou que a média das exportações de denin para a Argentina nos últimos quatro anos ficou perto de 12 milhões de metros, 25% abaixo dos 15 milhões fechados no acordo.

"A quantidade exportada em 2003 foi atípica", disse. "Como a Argentina esvaziou os seus estoques em 2002, precisou repor em 2003", explicou. Skaf disse que o acordo foi fechado em harmonia com os governos dos dois países e deve prevalecer apesar de o governo argentino ter anunciado na sexta-feira a imposição de licenças não-automáticas para a importação de têxteis do Brasil.

O denin era o principal problema apontado pelos argentinos na importação de têxteis do Brasil, mas outros segmentos também reclamam que querem retomar a produção e pedem uma redução na compra de produtos vindos do Brasil.

Ainda para esta semana, na quinta e sexta-feira, estão marcadas novas reuniões entre o setor privado e representantes de governo dos dois países para discutir a mesma questão nas áreas de fios de acrílico e tapetes. Skaf disse que a situação dos fios de acrílico é diferente da do denin. O empresário afirmou que, nesse caso, os fios brasileiros estão apenas substituindo os asiáticos. "O Brasil está vendendo mais porque ocupa um mercado que antes vinha da Ásia." No ano passado, foram vendidas cerca de 5 mil toneladas do produto ao país vizinho.

Fonte: Gazeta Mercantil – SP, 27/01/2004, Indústria & Serviços, A - 11


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